Analise Técnica EUR/USD 14/10/26
A 7 de outubro publicámos uma análise técnica ao EUR/USD que descrevia uma estrutura bearish e identificava os níveis que poderiam definir o movimento seguinte. Uma semana depois, o par negoceia perto de 1,1124, depois de ter tocado 1,1115 na sessão de hoje. É altura de rever o que se confirmou, o que não se confirmou e o que o gráfico mostra agora.
O balanço da análise de 7 de outubro
Nível Leitura a 7/10 O que aconteceu
1,1362 Resistência estrutural Não foi testada
1,1295 Resistência intermédia Não foi testada
1,1259 Primeira resistência Não foi recuperada
1,1190–1,1200 Suporte imediato Quebrado; hoje funcionou como resistência (máximo de 1,1211)
1,1157 Suporte seguinte Aguentou a 12/10 (mínimo de 1,1153); cedeu hoje após o CPI dos EUA
1,1068 Objetivo inferior Ainda não atingido, a cerca de 55 pips
As resistências aguentaram e os suportes cederam pela ordem prevista. O cenário principal, de pressão vendedora enquanto o par estivesse abaixo de 1,1360–1,1370, continua válido.
O que não se confirmou: o ressalto
A análise anterior admitia um ressalto técnico de curto prazo, justificado pelo RSI em zona de sobrevenda. Esse ressalto não aconteceu de forma relevante. As tentativas de recuperação foram fracas e acabaram vendidas abaixo dos antigos suportes. O RSI(14) diário está agora em 25,5, abaixo do que estava a 7 de outubro.
Fica a lição: numa tendência forte, a sobrevenda pode prolongar-se durante semanas. Por si só, não é sinal de compra. É apenas um aviso de que o movimento está esticado. Por isso, nos cenários abaixo, qualquer ressalto fica condicionado a uma confirmação no preço.
O que o gráfico mostra agora
Uma queda invulgarmente rápida. Num mês, o EUR/USD caiu cerca de 4,3% (aproximadamente 500 pips), de perto de 1,162 em meados de setembro para a zona atual. Num par tão líquido, é um movimento expressivo.
Uma estrutura bearish também no quadro maior. Desde o início de 2026 que os máximos descem: perto de 1,208 em janeiro/fevereiro, 1,185 em abril e 1,172 em agosto/setembro. Mais relevante ainda, o par saiu por baixo da faixa entre aproximadamente 1,135 e 1,19 onde negociou durante mais de um ano. A zona 1,1360–1,1370 passa a ser o teto dessa faixa antiga, o que reforça o seu papel como nível de invalidação.
Um suporte relevante em 1,1060. É lá que coincidem o objetivo da análise anterior, a zona de correção de maio de 2025 e referências técnicas de outros analistas. É o ponto mais lógico para uma primeira reação compradora.
Pouca estrutura abaixo de 1,1060. A subida de abril de 2025 foi quase vertical e deixou poucos níveis intermédios. Se 1,1060 ceder, o próximo suporte relevante fica em 1,0735. Pelo meio há apenas 1,1000 (nível psicológico) e referências menores perto de 1,09. Uma quebra pode por isso traduzir-se numa aceleração do movimento. Como referência teórica de médio prazo, projetar a altura da faixa abandonada aponta para a zona de 1,08.
O contexto macro
Inflação nos EUA: o CPI de setembro, divulgado hoje, subiu para 3,7% em termos homólogos, acima dos 3,6% esperados e dos 3,4% anteriores, com a gasolina como principal fator. O euro recuou logo após a divulgação, e foi esse o catalisador da quebra de 1,1157.
Política monetária: a Reserva Federal subiu as taxas em setembro e o intervalo dos fed funds está em 3,75%–4,00%. A taxa de depósito do BCE está em 2,50% e o consenso aponta para a sua manutenção. O diferencial continua a favorecer o dólar.
Europa: as preocupações orçamentais e políticas, em particular em França, continuam a pesar sobre o euro.
Calendário: a Fed decide a 28 de outubro e o BCE a 29 de outubro. Este foi o último CPI antes da reunião da Fed.
Níveis a acompanhar
Nível Papel
1,1360–1,1370 Teto da antiga faixa; a sua recuperação sustentada invalida a leitura bearish
1,1259 Primeira resistência estrutural
1,1200–1,1211 Resistência; rejeitada a 14/10
1,1150–1,1157 Antigo suporte, agora primeira resistência
1,1060 Suporte principal / objetivo da análise anterior
1,1000 Nível psicológico
1,0735 Próximo suporte relevante
1,0360 Mínimos de 2025
Cenários
1. Continuação (cenário dominante). Um fecho diário abaixo de 1,1060 abre caminho a 1,1000 e depois a 1,0735. A falta de estrutura intermédia pode acelerar o movimento.
2. Ressalto técnico. Só ganha credibilidade se houver reação compradora em 1,1060 seguida de um fecho diário acima de 1,1157. Uma divergência positiva no RSI seria uma confirmação adicional. Os alvos seriam 1,1200 e 1,1259. Mesmo nesse caso, enquanto o par ficar abaixo de 1,1360–1,1370, a leitura é de correção dentro da tendência descendente.
3. Inversão. Exige uma recuperação sustentada da zona 1,1360–1,1370, o que hoje parece distante.
Conclusão
A estrutura técnica descrita a 7 de outubro confirmou-se: as resistências aguentaram, os suportes cederam pela ordem prevista e o objetivo inferior está próximo. O ressalto por sobrevenda, que deixámos como possibilidade, não se materializou.
O EUR/USD aproxima-se agora de 1,1060, um suporte relevante que é ao mesmo tempo o objetivo da análise anterior. A reação do mercado neste nível, e as decisões da Fed e do BCE no final do mês, vão determinar se assistimos a uma pausa técnica ou a uma extensão da queda em direção a 1,0735.
Como dissemos na análise anterior, o nível de preço é importante, mas a reação do mercado a esse nível é muitas vezes ainda mais informativa.
Esta análise tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Os preços referidos correspondem ao momento da redação e podem ter variado entretanto.
Fontes: dados de mercado TradingView (ICE), 14/10/2026; FXStreet, “Breaking: US Consumer Price Index rose to 3.7% YoY in September” e “EUR/USD Price Forecast”, 14/10/2026; investinglive, “US September CPI 3.7% vs 3.6% expected”, 14/10/2026; StoneX, “EUR/USD Q4 2026 Outlook”; Forex.com, “EUR/USD, USD/JPY Forecast”, 14/10/2026.